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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SOCIALISMO CIENTÍFICO

O Socialismo Científico foi desenvolvido no século XIX por Karl Marx e Friedrich Engels. Recebe também, por motivos óbvios, a denominação de Socialismo Marxista.

Ele rompe com o Socialismo Utópico por apresentar uma análise crítica da realidade política e econômica, da evolução da história,das sociedades e do capitalismo.

Marx e Engels enaltecem os utópico pelo seu pioneirismo, porém defendem uma ação mais prática e direta contra o capitalismo através da organização da revolucionária classe proletária.
Para a formulação de suas teorias Marx sofreu influência de Hegel e dos socialista utópicos. 

Infraestrutura e superestrutura: Segundo Marx a infraestrutura, modo como tratava a base econômica da sociedade, determina a superestrutura que é dividida em ideológica (idéias políticas, religiosas, morais, filosóficas) e política (Estado, polícia, exército, leis, tribunais). Portanto a visão que temos do mundo e a nossa psicologia são reflexo da base econômica de nossa sociedade. As idéias que surgiram ao longo da história se explicam pelas sociedades nas quais seus mentores estava inseridos. Elas são oriundas das necessidades das classes sociais daquele tempo.   

Dialética: A dialética se opõe à metafísica e ao idealismo por completo. Engels e Marx "pegam o 'núcleo racional' de Hegel, mas rejeitam a sua parte idealista imprimindo-lhe um caráter científico moderno". O modo dialético de pensamento pondera que nenhum fenômeno será compreendido se analisado isoladamente e independente dos outros.
Eles são processos e não coisas perfeitas e acabadas; estão em constante movimento, transformação, desenvolvimento e renovação e não em estagnação e imutabilidade.
O mundo não pode ser entendido como um conjunto de coisas pré-fabricadas, mas sim como um complexo de processos. Estes estão em três fases: tese, antítese e síntese. Pela contradição da duas primeira (tese e antítese) surge a terceira (negação da negação) que representa um estágio superior.

Esta, por sua vez, será negada, surgindo um nova síntese e assim por diante. É importante lembrar que a antítese não é a destruição da tese, pois se assim fosse não haveria progresso.
O processo de desenvolvimento resultante com a anterior acumulação de mudanças quantitativas, apresenta evidentes mudanças qualitativas. Assim, vemos que o desenvolvimento não segue um movimento circular, mas sim progressivo e ascendente, indo do inferior ao superior.  

Luta de classes: A história do homem é a história da luta de classes. Para Marx a evolução histórica se dá pelo antagonismo irreconciliável entre as classes sociais de cada sociedade.
Foi assim na escravista (senhores de escravos - escravos), na feudalista (senhores feudais - servos) e assim é na capitalista (burguesia - proletariado).
Entre as classes de cada sociedade há uma luta constante por interesses opostos, eclodindo em guerras civis declaradas ou não. Na sociedade capitalista, a qual Marx e Engels analisaram mais intrinsecamente, a divisão social decorreu da apropriação dos meios de produção por um grupo de pessoas (burgueses) e outro grupo expropriado possuindo apenas seu corpo e capacidade de trabalho (proletários).
Estes são, portanto, obrigados a trabalhar para o burguês. Os trabalhadores são economicamente explorados e os patrões obtém o lucro através da mais-valia. 

Alienação:O capitalismo tornou o trabalhador alienado, isto é, separou-o de seus meios de produção(suas terras, ferramentas, máquinas, etc).
Estes passaram a pertencer à classe dominante, a burguesia. Desse modo, para poder sobreviver, o trabalhador é obrigado a alugar sua força de trabalho à classe burguesa, recebendo um salário por esse aluguel.
Como há mais pessoas que empregos, ocasionando excesso de procura, o proletário tem de aceitar, pela sua força de trabalho, um valor estabelecido pelo seu patrão. Caso negue, achando que é pouco, uma exploração, o patrão estala os dedos e milhares de outros aparecem em busca do emprego.
Portanto é aceitar ou morrer de fome. Com a alienação nega-se ao trabalhador o poder de discutir as políticas trabalhistas, além de serem excluídos das decisões gerenciais.  

Mais-Valia: Suponha que o operário leve 2h para fabricar um par de sapatos. Nesse período produz o suficiente para pagar o seu trabalho. Porém, ele permanece mais tempo na fábrica, produzindo mais de um par de sapatos e recebendo o equivalente à confecção de apenas um. Numa jornada de 8 horas, por exemplo, são produzidos 4 pares.
O custo de cada par continua o mesmo, assim como o salário do proletário. Com isso ele trabalha 6h de graça, reduzindo o custo e aumentando o lucro do patrão. Esse valor a mais é apropriado pelo capitalista e constitui o que Marx chama de Mais-Valia Absoluta.
Além de o operário permanecer mais tempo na fábrica o patrão pode aumentar a produtividade com a aplicação de tecnologia. Com isso o operário produz mais, porém seu salário não aumenta. Surge a Mais-Valia Relativa.

Custo de 1 par de sapatos na jornada de trabalho de 2 horas 
GASTOS DO PATRÃO  meios de produção = R$100  salário = R$20 
 TOTAL = R$120

Custo de 1 par de sapatos na jornada de trabalho de 8 horas 
GASTOS DO PATRÃO meios de produção = R$100 x 4 = R$400  salário = R$20 TOTAL = R$420 / 4 = R$105 

Assim, o par de sapatos continua valendo R$120, mas o custo do patrão caiu em R$15 por par produzido.
No final da jornada de trabalho o operário recebeu R$20, porém rendeu o triplo ao capitalista. É a exploração capitalista. É fato.

Materialismo histórico: Para Marx a raiz de uma sociedade é a forma como a produção social de bens está organizada. Esta engloba as forças produtivas e as relações de produção.
As forças produtivas são a terra, as técnicas de produção, os instrumentos de trabalho, as matérias-primas e o maquinário.
Enfim, as forças que contribuem para o desenvolvimento da produção. As relações de produção são os modos de organização entre os homens para a realização da produção. As atuais são capitalistas, mas como exemplo podemos citar também as escravistas e as cooperativas.
No processo de criação de bens estabelece-se uma relação entre as pessoas. Os capitalistas, donos dos meios de produção (máquinas, ferramentas, etc.), e o proletariado, que possui apenas sua força de trabalho, estabelecem entre si a relação social de trabalho
A maneira como as forças produtivas se organizam e se desenvolvem dentro dessa relação de trabalho Marx chama de modo de produção. O estudo deste é fundamental para a compreensão do funcionamento de uma sociedade.


A partir do momento que as relações de produção começam a obstaculizar o desenvolvimento das forças produtivas cria-se condições para uma revolução social que geraria novasrelações sociais de produção liberando as forças produtivas para o desenvolvimento da produção.  

O último estágio: Marx afirma que a história segue certas leis imutáveis à medida que avança de um estágio a outro. Cada estágio caracteriza-se por lutas que conduzem a um estágio superior de desenvolvimento, sendo o comunismo o último e mais alto.
A chave para a compreensão dos estágios do desenvolvimento é a relação entre as diferentes classes de indivíduos na produção de bens. Afirmava que o dono da riqueza é a classe dirigente porque usa o poder econômico e político para impor sua vontade ao povo jamais abrindo mão do poder por livre e espontânea vontade e que, assim, a luta e a revolução são inevitáveis.
Para Marx, com o desenvolvimento do capitalismo,  as classes intermediárias da sociedade vão desaparecendo e a estrutura de classes vai polarizando-se cada vez mais. A alienação e a miséria aumentam progressivamente. Com o auxílio dos partidos dos trabalhadores o proletariado vai tornando-se cada vez mais consciente de sua luta e de sua existência como classe revolucionária.
Portanto esses partidos não teriam o papel de apenas ganhar votos e satisfazer interesses pessoais, mas sim de educar e alertar os trabalhadores. A perspectiva internacional tomará maior importância, em detrimento do nacionalismo exacerbado. Mais cedo ou mais tarde a revolução proletária terá êxito, com as condições objetivas e a disposição subjetiva coincidindo. Com as sucessivas crises econômicas do capitalismo suas crises vão se agravando e aproximando-o da crise final.
A sociedade pós-capitalista não foi inteiramente definida por Marx. Dizia ele que tal discussão seria idealista e irrealista. Ponderou apenas que após a revolução instalar-se-ia uma ditadura do proletariado. As empresas, fábricas, minas, terras passariam para o controle do povo trabalhador, e não para o Estado, como muitos pensam e como líderes pseudocomunistas fizeram.
A propriedade capitalista extinguiria-se. A produção não seria destinado ao mercado, mas sim voltada para atender às necessidades da população. O socialismo, como essa fase é denominada, deve ser profundamente democrático. O Estado iria naturalmente dissolvendo-se.
Porém Marx ressalta: "trazendo as marcas de nascimento da velha sociedade, a sociedade recém-nascida será limitada, sob muitos aspectos, pelos legados da velha  sociedade capitalista." Após o socialismo uma fase superior se desenvolveria: o comunismo. O Estado desapareceria definitivamente, pois seu único papel é manter o proletariado passivo e perpetuar sua exploração. A distinção de classes também deixaria de existir, todos seriam socialmente iguais e homens não mais subordinariam-se a homens. A sociedade seria baseada no bem coletivo dos meios de produção, com todas as pessoas sendo  absolutamente livres e finalmente podendo viver pacificamente e com prosperidade.


ANARQUISMO



O anarquismo, desde sua criação, recebeu vários atributos. Seus críticos dizem que é uma forma de organização social onde impera a bagunça. Seus defensores negam isso energicamente. Vejamos como ele se estrutura.

O anarquismo é uma doutrina que defende a supressão de qualquer governo formal - por considerar que eles interferem na liberdade idividual - substituindo-os por coorporativas de grupos associados de produtores.
Proudhon foi um de seus precursores e enfatizava o respeito à pequena propriedade, propondo a criação de cooperativas sem fins lucrativos voltadas para o auto-abastecimento e de bancos que concedessem empréstimos sem juros aos empreendimentos produtivos e crédito gratuito aos trabalhadores.

Dizia que o Estado deveria ser destruído, sendo substituído por uma "república de pequenos proprietários", sem leis, sem polícia, sem imposto de renda, sem forças armadas. Nada mais correto.
As idéias de Proudhon influenciaram Mickail Bakunin (1814 - 1876) e Piotr Kropotkin ( 1842 - 1921). Este era de uma corrente menos radical e sem tanta difusão. Defendia a chegada ao Anarquismo com o não pagamento de impostos, o não reconhecimento das decisões dos tribunais de justiça e maiores recusas a seguir o padrão social capitalista.
Já Bakunin, um revolucionário russo, fundador do Movimento Populista Russo e principal expoente do movimento anárquico, era adepto do anarquismo terrorista. A ele são atribuídos inúmeros assassinatos e atos de vandalismo e terrorismo.
Defendia que a única forma de se alcançar uma sociedade justa e sem desigualdades seria através da utilização de violência, luta armada e atentados contra governantes.
Vemos, portanto, que o marxismo e o anarquismo coincidem em seu objetivo final, a criação de uma sociedade, a comunista, onde não haveria um Estado e as desigualdade sociais seriam banidas.
Porém, Marx defendia a existência do socialismo, fase anterior à comunista, onde haveria o gradual erradicamento do Estado, de suas injustiças e desigualdades.
Para Marx, o socialismo faz-se necessário para a vigência da ditadura do proletariado, onde o povo, através de revoluções, chegaria ao poder sem o uso de terrorismo.

O anarquismo pretende suprimir, pular o socialismo. Marx reconhece as boas intenções anarquistas em instaurar uma sociedade igualitária, porém discorda profundamente dos meios anárquicos.
Eles, do ponto de vista marxista, subestimam o proletariado ao afirmar que a tomada do poder pelos trabalhadores apenas eternizaria a opressão. Outro ponto de discórdia. Você sabe da existência de algum Partido Anarquista? Evidente que não. Os anarquistas dizem que se votassem ou tivessem um partido político estariam concordando e submetendo-se ao sistema capitalista.
Já Engels e Marx ressaltavam a importância do partido dos trabalhadores, que atuaria conscientizando e unindo o proletariado, organizando os seus atos.

Atenção! Em muito lugares lemos que o anarquismo é apenas uma variação do marxismo, que ambos são "irmãos". Afirmação incorreta! Marx queixava-se de que seu pensamento estava sendo deturpado por outros filósofos. Ele tinha, por hábito intelectual, desenvolver suas teses através do debate com outros pensadores, distinguindo, assim, o seu pensamento do daqueles que o criticavam. Isso alimentou várias polêmicas. Em 1846 convidou Proudhon para um intercâmbio entre comunistas de vário países. Este disse que "a revolução como meio de transformar a estrutura econômica e social seria maléfica, pois ela traria prejuízo aos trabalhadores, desarmonizaria o sistema de produção e faria cair o fluxo de mercadorias."

Baseado nessas idéias ecreveu o livro Filosofia da miséria contra Marx, que respondeu através de outro, intitulado Miséria da filosofia. Neste livro Marx disse que, de Hegel, Poudhon só havia assimilado o vocabulário, não percebendo as complexas contradições da sociedade. Karl considerava as idéias de Proudhon pequeno-burguesas e descomprometidas com a luta da classe trabalhadora. Bakunin também polemizou com Marx. Dizia que este era prepotente e que seu socialismo era autoritário. Karl negava e criticava o "pai do anarquismo" dizendo que a greve geral, defendida por Bakunin, era "um mito, uma idéia romântica, que poderia prejudicar a organização da classe trabalhadora, que deve amadurecer com paciência".

Além de dizer que o programa de Bakunin era "uma salada de lugares-comuns, de palavrório sem sentido, uma grinalda de conceitos e improvisação insípida."


SOCIALISMO UTÓPICO

A Revolução Frustrada A Revolução Francesa consagrou o lema liberdade, igualdade e fraternidade. Os socialistas diziam que nada disso fora alcançado. Igualdade não haveria numa sociedade tão dividida entre ricos e pobres. A liberdade que existia era a de mercado, com o burguês livre para explorar o trabalhador. Depois disso tudo, fraternidade entre as classes sociais seria uma piada.

O início do século XIX, muitos escritores e reformadores consideraram o industrialismo como a causa das dificuldades e sofrimentos da classe trabalhadora. Socialistas como Robert Owen (1771-1858), da Grã-Bretanha, Charles Fourier (1772-1837) e o conde Saint-Simon (1760-1825), da França, apresentaram várias propostas com a finalidade de estabelecer comunidades com condições econômicas e sociais ideais. Owen e os seguidores de Fourier estabeleceram cooperativas, que existiram por pouco tempo. Esses socialistas eram freqüentemente chamados de utópicos. Esse termo provém do livro Utopia (1516) escrito pelo estadista inglês Tomás Morus. Utopia descreve uma sociedade ideal que proporciona igualdade e justiça para todos.